O varejo brasileiro se consolidou como o grande motor financeiro do mercado B2B nacional. Segundo dados do capítulo “O que as Empresas Compram no Brasil”, do levantamento Panorama do Contas a Pagar, realizado pela Qive, o setor registrou R$ 766,16 bilhões em compras corporativas e R$ 625,44 bilhões em vendas em 2025 — números que colocam o varejo como peça-chave da engrenagem de suprimentos do país.
O estudo mapeou o comportamento de aproximadamente 1,4 milhão de empresas varejistas a partir de 183,1 milhões de notas fiscais emitidas, totalizando R$ 1,6 trilhão em transações registradas por 2,67 milhões de CNPJs. Para o lojista brasileiro, esses números mostram o tamanho real do mercado em que está inserido — e o quanto a gestão eficiente da cadeia de fornecedores virou diferencial competitivo.
O varejo no centro da engrenagem B2B
Os dados revelam que os investimentos do varejo se concentraram nas áreas de logística, energia e consumo diário. As cinco categorias que mais movimentaram recursos foram: veículos automóveis e tratores (R$ 110,6 bilhões), combustíveis minerais e óleos (R$ 108,5 bilhões), bebidas e líquidos alcoólicos (R$ 68,4 bilhões), máquinas e materiais elétricos (R$ 58,8 bilhões) e produtos farmacêuticos (R$ 56,1 bilhões).
Quando o recorte é por produto, o destaque vai para o óleo diesel, que sozinho somou R$ 59,4 bilhões em aquisições — o maior valor financeiro entre todos os itens comprados pelo varejo. Em capilaridade, a cerveja de malte lidera, com R$ 20,9 bilhões e presença massiva entre as empresas do setor. Os números mostram como a operação logística, a gestão de estoque e o relacionamento com fornecedores são hoje as verdadeiras vantagens competitivas do pequeno e médio lojista.
Créditos: E-Commerce Brasil
Créditos: eGestor
A sinergia com a indústria que movimentou R$ 350 bilhões
O grande marco econômico destacado pelo relatório foi a sinergia comercial entre varejo e indústria. As negociações intersetoriais movimentaram a marca de R$ 350 bilhões, evidenciando o varejo como a principal ponte de escoamento para a produção industrial nacional. Para quem opera como lojista, isso significa que a forma como o negócio se relaciona com fabricantes, distribuidores e representantes pode determinar o acesso a melhores prazos, preços e condições comerciais.
“As compras por setor atendem às necessidades de cada operação no dia a dia. Mas, quando analisamos em escala, fica claro que a maturidade fiscal e financeira de uma empresa depende também da maturidade dos seus fornecedores. Com a chegada da Reforma Tributária, essa interdependência ganha um peso ainda maior.” — Vitor de Araujo, cofundador e Head de AI Lab da Qive.
O dado que merece atenção: média de 5,3 fornecedores por varejista
Apesar dos volumes bilionários transacionados, o estudo apontou uma dinâmica restrita no relacionamento com fornecedores: as empresas do segmento varejista mantêm, em média, parcerias com apenas 5,3 fornecedores simultâneos. Esse número é um sinal claro de oportunidade — quem amplia e qualifica a base de fornecedores ganha poder de negociação, reduz riscos de ruptura e consegue melhores condições comerciais em um cenário de Reforma Tributária.
O cenário, segundo a Qive, consolida o setor varejista não apenas como o principal comprador do país, mas aponta para oportunidades contínuas de diversificação e otimização de parcerias ao longo de sua bilionária cadeia de suprimentos.

Para o pequeno e médio lojista brasileiro, os dados do Panorama do Contas a Pagar 2026 são um convite claro à ação: olhar para a base de fornecedores com a mesma seriedade com que se olha para clientes e produtos. Em um mercado que movimentou mais de R$ 766 bilhões em compras e R$ 350 bilhões em sinergia com a indústria, quem trabalha com planejamento tributário, contratos bem estruturados e diversificação de parceiros sai na frente — e transforma uma cadeia de suprimentos muitas vezes subestimada em uma vantagem competitiva real.
